sábado, 9 de julho de 2011

CRUZADAS NO ATELIER - nº 1



Horizontal
2 - Apelido do escritor de "A Guerra dos Mundos".
7 - Forma de uma bactéria intestinal.
11 - São acelerados no grande acelerador do CERN.
12 - Mensageiros químicos muito especiais...
14 - Unidade de comprimento do sistema internacional de medidas.
15 - Um dos leptões com carga eléctrica.
17 - Conjunto de genes de um indivíduo.
20 - Disse: e pur si muove.
23 - Família taxonómica a que pertence a Escherichia coli.
26 - Também designado por órgão de Jacobson.
28 - Álcool presente na cerveja.
29 - Apelido do entrevistado pelo "Grupo do Átomo".

Vertical
1 - Poeta que viveu na Casa da Escrita.
3 - Partículas subatómicas que não são constituidas por quarks.
4 - Fermento de padeiro.
5 - Demonstram a força de coriolis.
6 - Sentido associado ao orgão vomeronasal.
8 - Nome romano para o burgo que deu origem a Coimbra.
9 - Descobriu o electrão.
10 - Uma partícula elementar com carga positiva.
13 - Comemora-se 100 anos sobre um seu modelo.
16 - "...é um passeio no campo da criatividade humana."
18 - O mesmo que mil passos para os romanos.
19 - Apelido de quem descobriu uma enterobactéria.
21 - Nome próprio de Foucault.
22 - O mesmo que fermento biológico.
24 - Partículas elementares caracterizadas por cores e sabores.
25 - Estado do dióxido de carbono à temperatura de 25ºC.
27 - Símbolo químico para o ouro.

(Dificuldades? Leia as publicações deste blogue para encontrar as respostas. Se não precisou, leia na mesma: fica desde já preparado para o nº 2 das Cruzadas no Atelier.)

António Piedade

Quem Esteve no Atelier?

terça-feira, 5 de julho de 2011

Pelas mãos de Theodor Escherich












Decorria o ano de 1885 e nasce Escherichia coli
Bactéria que se aloja no trato intestinal humano e
De outros animais desde que com sangue quente.
Dos mais antigos simbiontes no Homem
Com ou sem ar, mantém-se, uma resistente.
Ambientes secos, são um teste à sua sobrevivência.
Todos a temos, com flagelos à volta das suas células.
Não se elimina na urina ou nas fezes,
Fímbrias e adesinas permitem a sua fixação.
Gram negativas, vivemos e convivemos com elas
São tantas que todos os dias mandamos fora 1 trilião.
O sistema imunitário é activado sobremaneira,
Ocorre vasodilatação excessiva provocada pelas citocinas.
O choque séptico e morte acontece, se
No diagnóstico consta: septicemia.
Para atacar, com mais de dois ou três fármacos,
E mesmo assim não passou,
Melhor mesmo, dirigir-se ao doutor.
Nos seus subtipos reside o cerne da questão,
Alguns, denominados pelo prefixo entero, patogénica,
Toxinogénica, invasiva, agregativa, ou hemorrágica.
Alguns sintomas preocupantes?
Úlceras, náuseas, inflamação,
Diarreia, vómitos, e afins,
Podem levar-te à desidratação.
Para melhor prevenir:
Cozinhar bem os alimentos,
Lavar bem as saladas e
Beber água engarrafada, é a melhor opção.

Imagem retirada do website:
http://bemsaude.com/e-coli-sintomas-causados-pela-bacteria/

sábado, 25 de junho de 2011

Aigolotpirc ou o Elogio da Ciência à Porta Aberta

A história da Criptologia é um passeio no campo da criatividade humana. A Criptologia foi usada por governantes e pelo povo, em épocas de guerra e em épocas de paz. Faz parte da história humana porque sempre houve fórmulas secretas, informações confidenciais e interesses os mais diversos que não deveriam cair no domínio público ou na mão de inimigos.
Tem sido ou não esta a abordagem da Ciência ao longo dos séculos? Para o bem e para o mal, a Ciência tem-se revestido de segredo, com códigos próprios, unicamente inteligíveis para quem com ela trabalha todos os dias. A Ciência tem sido feita para ser comunicada dentro dos círculos da própria Ciência e o que passa para o dominio público muitas vezes está de tal forma cifrada que poucos são os leigos (ou especialistas noutras áreas) que a entendem. A divulgação da Ciência que é feita à porta fechada, isto é, dentro das instituições de investigação, é essencial para a compreensão do Mundo em que vivemos. Muitas vezes os investigadores alegam que as pessoas, o cidadão comum, mostra pouco interesse pelas coisas da Ciência. Nada mais errado!  O tal cidadão comum tem uma curiosidade imensa sobre como vão as glórias do Mundo, contudo o uso sistemático de uma linguagem encriptada, torna a Ciência algo totalmente enigmático. 
Não devemos nós, Comunicadores de Ciência (investigadores, divulgadores, assessores, consultores, jornalistas), tornar a Ciência acessível a todos, desde o maior especialista mundial até à senhora que vende botões na retrosaria do bairro? Sim, é nossa missão aproximar a Academia da Rua e, porque não?, a Rua da Academia!


Nota: Aigolotpirc é Criptologia escrita de trás para a frente, a forma mais básica de encriptação.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

"A cooperação transatlântica na boa comunicação de ciência na lusofonia é fundamental"

Apesar de a seguinte conversa "facebookiana" não ter sido gerada no, ou no decurso do, Atelier, pareceu-me interessante partilhá-la aqui, como caso de estudo. Se alguém se opuser, retirarei o post, acto contínuo.


Tudo começou por um comentário da Ana Margarida a esta notícia do Jornal Ciência (de Brasília) intitulada "Meteorito possui os requisitos necessários para a construção da vida", e que teve um final feliz!

Aqui se transcreve (agradeço à Ana Margarida o trabalho de ter passado a conversação para word) o que se passou no facebook.

A CONVERSA/”REUNIÃO” :D

Ana Margarida Olá, a vossa expressão "identificaram sinais de formas de vida dentro de meteoritos" não está correcta. :) O que identificaram foi blocos de construção da matéria da vida, das macromoléculas orgânicas. Isso não são formas de vida, são blocos de construção e não indicam que tenha existido vida nos meteoritos, somente que essas moléculas sobreviveram em meteoritos. E este tipo de estudo não é único. Veja por exemplo, o trabalho de Zita Martins do Imperial College London. Antes deste estudo, já Zita Martins tinha descoberto nucleótidos noutro meteorito


Jornal Ciência
Olá. A expressão não está errada pois afirma que encontraram "sinais" de formas de vida. Se um cientista encontra uma proteína, uma macromolécula orgânica ou algo do tipo que possa ser encontrada numa bactéria, em um vírus ou em qualquer outro ser diminuto, isso não seria uma indicação de que este material poderia ter sido resultado da fragmentação de uma vida microscópica? Além disso, a matéria é baseada em um estudo da British Columbia, no qual usa esta afirmação. Obrigado por participar.

Ana Margarida Olá de novo, desculpe insistir mas não, não está correcta. ;) Sou bioquímica e conheço bem a terminologia. Moléculas não são necessariamente sinais de formas de vida. São moléculas. A expressão correcta é "foram encontrados blocos de construção da vida". Não é sinal de forma de vida em si porque não são vida nem se pode dizer que integraram vida. Neste caso em concreto e neste estudo em concreto, não significa que este material resultou da fragmentação de uma vida microscópica porque não há qualquer indicação nesse sentido. Se preferir posso chamar aqui ao seu mural diversos outros bioquímicos e astrobiólogos que lhe dirão o mesmo. Portanto, repito: não está correcto, e as afirmações com que sustenta o uso da expressão também não estão. Não há provas de que estas moléculas resultem da fragmentação de vida microsópica...são moléculas, somente isso, peças de lego que não vieram necessariamente de uma casa de lego. O facto de a matéria ser baseada no estudo do British Collumbia não invalida que a vossa expressão está técnica e cientificamente incorrecta. A adaptação não está correcta.

António Piedade
Analogia: se alguém encontrar um bloco, um tijolo de argila, num meteorito, isso significa que ele fez parte de uma casa? A Ana Margarida está certa, meus caros. E, o facto de ser um estudo efectuado na British Columbia não ressalva nada por si só. Lembro-me de uma ou outra retratação de artigos publicados na Nature e na Science, por cientistas prestigiados e que mais tarde tiveram de vir pedir desculpas à comunidade científica internacional. As fontes são importantes. Mas mais importante é mantermos a nossa atitude critica, tão preciosa do método científico, bem vigilante.

Ana Margarida Obrigada António. Repare, Jornal Ciencia, o António é um Bioquimico prestigiado e comunicador de gabarito. Carlos Oliveira, podes confirmar?... O Carlos Oliveira é astrobiólogo. Marco Filipe, podes confirmar? O Marco é geneticista e biotecnólogo. ‎David Marçal, podes confirmar? O David é um bioquímico conhecido e um comunicador de ciência versátil.Maria João Nunes, podes confirmar? A Maria João Nunes é bióloga, Geóloga e Jornalista de Ciência.

António Piedade Reparem, nós não estamos a criticar em vão. Estamos a tentar ajudar a melhorar uma notícia. Ana Margarida estás a convocar-nos para uma reunião on-line?

Ana Margarida Estou :D para haver mais fontes :) afinal, eles não me conhecem de lado algum :)

Ana Margarida
O abstract do artigo original diz-nos que "The complex suite of organic materials in carbonaceous chondrite meteorites probably originally formed in the interstellar medium and/or the solar protoplanetary disk, but was subsequently modifiedin the meteorites' asteroidal parent bodies. The mechanisms of formation and modification are still very poorly understood. We carried out a systematic study of variations in the mineralogy, petrology, and soluble and insoluble organic matter in distinct fragments of the Tagish Lake meteorite. The variations correlate with indicators of parent body aqueous alteration. At least some molecules of prebiotic importance formed during the alteration."

prebiotico não significa que veio da vida, mas sim que a precede.

Astro Pt
o Carlos Oliveira não é "amigo" do Jornal da Ciência (já pediu amizade), por isso vai pelo astroPT - a fonte credível de notícias relacionadas com astronomia.
A notícia vê-se que foi escrita à pressa por alguém que não está dentro do tema. O que é normal. Os jornalistas não podem saber de tudo. Podiam era perguntar a quem sabe ;)
O Tagish é muito conhecido, e isto já se fala há muitos anos: aqui e aqui.
O novo estudo diz que este meteorito pode ser "especial" devido à diversidade de aminoácidos. Esta é a novidade. Nada de muito anormal. Nada sobre vida.
Aliás, ainda nem é certo se isto não é devido a contaminação terrestre, apesar de pelo menos um dos fragmentos parece não ter tido essa contaminação.
A notícia é da NASA, basta lê-la e depois perguntar a quem sabe.


abraços,
C. O.
(eu queria põr o meu nome novamente, mas não me deixa)

P.S.: em todo o lado existem os requisitos para a vida. São feitos nas estrelas e espalhados pelo Universo. Logo, parece-me que o título induz em erro se não houver uma explicação competente no artigo.

António Piedade O Carlos Oliveira disse tudo: há átomos e moléculas" prebióticas nas poeiras cósmicas".

Jornal Ciência A jornalista responsável será consultada e será analisada uma possível alteração no termo citado. Grato por participarem.

António Piedade ‎Jornal Ciência excelente atitude.

Ana Margarida Gratos por ouvirem ;) é comum existirem lapsos de termos, pois é impossível uma pessoa só abarcar todo o conhecimento existente. Mas para isso estão cá especialistas das diversas matérias, q procuram ajudar e não criticar. E acredite que conhecemos bem o meio jornalistico e sabemos os desafios que os jornalistas enfrentam e temos perfeita noção de que não é fácil nem é propositado ;)

António Piedade É interessante e positiva esta nossa participação em ajudar o Jornal de Ciência (Brasília) a repor rigor numa noticia com o intuito de melhor comunicar ciência.

Ana Margarida Sem dúvida, António :)

Astro Pt já agora, uma ideia: porque vocês não publicam as notícias que sejam de astronomia, que vejam do astroPT? ;)
Sempre são escritas por quem percebe do assunto em causa, e quiçá até podem dar as notícias mais rapidamente (como no "mar espumoso" da notícia anterior).
É uma sugestão de parceria ;)

Jornal Ciência Nos que estamos gratos e lisonjeados pela participação ativa em nossos conteúdos, o que demonstra que existe interesse mútuo em melhorar a qualidade das informações científicas divulgadas. Obrigado especial a Ana Margarida por indicar a falha e aos demais por dar embasamento.

Ana Margarida E no processo, note, todos nós aprendemos a comunicar melhor. :) Ninguém nasce ensinado e aprendemos uns com os outros ;)

António Piedade A cooperação transatlântica na boa comunicação de ciência na lusofonia é fundamental.

Ana Margarida Há quem sustente que não existem falhas, mas somente aprendizagem para todos os envolvidos :) O interesse já existia :) Obrigada :)

Astro Pt E é para isso que serve também o astroPT ;-). Aliás, temos autores de ambos os lados do Atlântico ;) Daí a minha proposta de parceria... dava para corrigir logo a notícia sobre o meteorito (porque seria escrito por quem percebe do assunto)... e dava para terem notícias mais rápidas (o do mar espumoso foi escrito há 2 semanas :)). ;)

Ana Margarida Seria uma excelente parceria!! :)

Marco Filipe Cheguei tarde demais à reunião :P
Errar é humano, até cientistas erram. O que interessa é que o assunto já está esclarecido ;)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Heróis da Humanidade


A Escherichia coli é uma heroína da Humanidade. A comunicação escrita que podem encontrar é a legenda de um módulo interactivo virtual. Funciona como a legenda que recontextualiza a obra. Ao carregar no botão, acende a luz que nos revela uma E. coli em vidro criada por Luke Jerram.


A legenda do módulo motiva a interacção, leva a carregar no botão e descobrir a grande E. coli. Apresentá-la primeiro como heroína da nossa espécie, pretende intrigar o utilizador e motivá-lo a descobrir mais.




As legendas acompanham a exploração visual em 5 páginas/ paineís. A informação escrita para além de intrigar, introduz algumas respostas breves que podem iniciar o utilizador no processo de descoberta:

(1) Heróis da Humanidade; Sem este herói, o Homem não existiria como o conhecemos! Para o ver, carregue no botão.

(2) Quem? Esta é uma bactéria da espécie Escherichia coli da família ENTEROBACTERIACEAE. Está aqui representada a uma escala aproximada de 1:1'000'000!

(3) Heróis? As E. coli são heroínas do nosso avanço científico e tecnológico! O seu genoma tem milhares de genes que codificam mais de 4000 proteínas. São usadas como modelo experimental, contribuem para compreender a maquinaria celular. Cultivadas em laboratórios industriais produzem fármacos importantes, como a insulina.

(4) Onde vivem? O habitat das E. coli é no lúmen intestinal de animais de sangue quente. Vivem ali em simbiose connosco, importantes na nossa digestão. Um ser humano tem mais E. coli no intestino do que há Homens na Terra!

(5) Porquê esta forma? As Escherichia coli têm a forma de um bacilo. Têm muitos flagelos, pequenas extensões, importantes à sua locomoção. Estas bactérias têm ainda umas extensões maiores, as fímbrias, que lhes permite aderir ao epitélio intestinal.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Crónica no Diário de Coimbra acerca do Atelier



http://dererummundi.blogspot.com/2011/06/escrita-na-comunicacao-de-ciencia-um.html

António Piedade

Um dia em grande

No dia 17 de Junho, realizou-se o Atelier Escrita Científica, na Casa da Escrita, em Coimbra, organizado pelo António Piedade. Este workshop contou com a presença de investigadores e comunicadores de ciência com as mais diversas formações, desde a área do jornalismo, passando pela astrofísica até às ciências naturais, que se reuniram com objectivos comuns: partilhar ideias e aperfeiçoar o modo como comunicam ciência.
                O dia teve início com uma recepção na Casa da Escrita, à qual se seguiu uma apresentação sobre algumas questões relacionadas com a comunicação científica. Após esta palestra informal, os presentes foram convidados para um “almoço literário”, que se pode considerar ter sido “chique a valer” (1). Durante a refeição, os comensais continuaram a debater assuntos relacionados com a ciência e com a divulgação da mesma, tendo ainda havido tempo para umas conversas ocasionais abordando a Filosofia e a ruptura de paradigmas (2).
Como o tempo é uma dimensão volátil, tornava-se imperativo seguir o plano: estava destinada uma viagem ao passado. Não me refiro a uma “Máquina do Tempo”, ao estilo de H. G. Wells (3), mas a um portal para outros períodos – mais concretamente, foi visitado o Criptopórtico Romano, no Museu Nacional Machado de Castro (4). Esta fenomenal visita guiada permitiu a aquisição de conhecimentos históricos extremamente interessantes acerca da presença romana em Portugal, conhecimentos, esses, que só foram possíveis de adquirir através do acompanhamento do fantástico guia que explicou como é que as pedras nos contam estórias, e que História se encontra oculta nessas pedras. As explicações adicionais e estórias paralelas foram, de facto, uma mais-valia desta visita. Mas como o tempo passa rapidamente pelas nossas vidas, como os grãos finos de areia escorrem por entre os nossos dedos, urgia proceder a um regresso ao futuro – que na realidade corresponde ao nosso presente. Bem, não querendo complicar, mas complicando, se quero ser objectivo, corresponde novamente ao passado, porque dia 17 já passou. Ah, os Paradoxos da Física!
E por falar em Física, os participantes do workshop dividiram-se em grupos que iriam realizar diferentes trabalhos. Dessa divisão resultou um grupo composto por seis elementos, que viria a ser conhecido como o “Grupo do Átomo”, pois foi entrevistar o físico Rui Marques, da Universidade de Coimbra, cuja temática principal na conversa foi, precisamente, esse constituinte das moléculas. A conversa longa, mas interessante, foi sobre nada. Ou melhor sobre o que constitui a maior parte do átomo: o vazio. Mais uma vez isto parece paradoxal, mas é que mesmo o objecto mais sólido é constituído no seu espaço interior por mais vazio do que por matéria. Fantástico!
De regresso à Casa da Escrita, procedeu-se à elaboração de textos sobre os assuntos tratados, para depois serem colocados num blog experimental que resultará deste Primeiro Atelier de Escrita Científica. E escrevo Primeiro Atelier, porque espero que se sigam outros, muitos outros. Foi um dia em grande.
                

(1)    – Esta expressão que se encontra na obra “Os Maias”, de Eça de Queirós, parece-me bastante apropriada ao local, ou não estivéssemos nós na Casa da Escrita, também ela perto da residência do Eça, enquanto estudante.
(2)    – Revisitaram-se as ideias dos filósofos Thomas Kuhn e Karl Popper, entre outros.
(3)    – Herbert George Wells (1866-1946), foi um escritor inglês autor de obras internacionalmente conhecidas como “O Homem Invisível”, “A Guerra dos Mundos” ou “A Máquina do Tempo”.
(4)    – O nome do museu pretende homenagear o célebre escultor português, Joaquim Machado de Castro (1731-1822).

Na foto: Identificação do local onde habitou o escritor português Eça de Queirós. Fica localizada perto da Casa da Escrita, onde teve lugar o Atelier.

Das profundezas da Terra aos átomos das estrelas


Existem coisas no mundo que tomamos como adquiridas. O facto de o dia suceder à noite ou de não ser possível atravessar uma parede são alguns deles. Tanto que construímos paredes para nos protegermos à noite, tal é a confiança nestas duas certezas. Quando uma destas certezas cai por terra, entramos no mundo da ficção. Há coisas que pura e simplesmente nunca acontecem fora do reino de Hollywood (ou de imaginações mais vivas).

Por exemplo, se alguém escrevesse que “depois de sair das profundezas de um criptopórtico romano, com milhares de anos, o grupo - composto por jornalistas, biólogos, bioquímicos e astrofísicos – entrou no edifício de linhas direitas (fascistas, até) com um objectivo simples: descobrir como é o átomo”, com certeza que não podia ser real. Parece algo retirado de um livro de aventuras, certo? No entanto, ainda não se desrespeitou nenhuma regra de funcionamento do mundo, por isso vamos elaborar um pouco. “Ao entrar no edifício, o grupo viu que o grande pêndulo, suspenso do tecto, estava parado”.

Um pêndulo parado é algo que causa muita estranheza. E se mete no caminho de um dos factos dados como adquiridos no início do texto: haver dia depois da noite e vice-versa. Isto acontece porque a Terra roda sobre si própria, na sua órbita elíptica à volta do Sol. Nós não sentimos essa rotação, mas há um teste que a comprova. E que envolve um pêndulo. Jean Bernard Léon Foucault, Foucault para os amigos, foi um francês que tinha quase tudo para ser médico. Tinha o dinheiro para pagar a formação, a inteligência. Só tinha um problema: uma tremenda aversão ao sangue. Por causa disso, a França perdeu um médico, mas ganhou um físico.

O que deixou o nome de Foucault na história foi o facto de ter criado uma experiência (em 1851) que permite ao ser humano ver que, de facto, a Terra está a girar sobre ela ppria. Foucault colocou um pêndulo, fixo no tecto do Panteão de Paris. E esse pêndulo movimentou-se em função da rotação do planeta, sem mais qualquer ajuda (de facto, até convém que não existam interferências de correntes de ar, que podem alterar o movimento). Reproduzida inúmeras vezes, a experiência tornou-se um sucesso e ainda hoje é recriada em vários locais.

Neste caso, o pêndulo de Foucault estava parado. O eclético grupo só tem uma solução: admitir que está num filme. E com o pêndulo parado, o mundo estaria na cloaca (uma palavra que o grupo aprenderia se tivesse passado a tarde fechado numa rede de túneis subterrâneos de origem romana. Mas isso nunca pode acontecer).

Tempo de procurar uma resposta. Na ânsia de chegar junto do especialista, nem reparam na passagem por um laboratório nuclear. Logo no ano em que se comemora o centenário da descoberta do átomo. Mau presságio? Não, isso só acontece em obras de ficção.

(Continua...)

domingo, 19 de junho de 2011

O Átomo e o Pêndulo

No ano em que o átomo de Rutherford comemora 100 anos de existência, o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), comemora duas efemérides: Os 25 anos desde a sua criação e os 10 anos como Laboratório Associado.

Com três delegações, em Lisboa, Coimbra e Braga, o LIP está na linha da frente da investigação europeia de física de partículas, graças à associação com grandes organizações internacionais como o CERN, a Agência Espacial Europeia (ESA) ou o Observatório Pierre Auger.

O Grupo do Átomo do Atelier de Escrita em Comunicação de Ciência teve o prazer de estar à conversa com o professor Rui Ferreira Marques, director do LIP-Coimbra (foto à esquerda) . Do átomo, aos mesões K, passando pelo pêndulo de Foucault na entrada do edifício, foi uma conversa extremamente interessante.


Mas com tanto que se poderia escrever acerca deste encontro, nada como começar pelo início. Afinal quem é o senhor Rutherford (foto à direita), tão importante que tem um átomo só dele?


Como nos disse o professor Marques: Definir um átomo não é tão difícil como parece, já que é caracterizável do ponto de vista químico, sendo uma entidade que revela determinadas características químicas, identificáveis aqui, acolá ou além.

O conceito de átomo nasce ainda na Grécia antiga, por volta do séc. IV a.C. Este conceito de esferas, indivisíveis e pequenas demais para serem vistas (aliás, átomo vem da palavra grega para indivisível), é recuperado no início do séc. XIX por John Dalton. Deste modo, ele explica as transformações químicas conhecidas simplesmente recorrendo a diferentes arranjos de átomos.

Mas a história moderna do átomo começa quase 100 anos depois, com o físico britânico J.J. Thomson (foto à direita), a quem pertence o mérito da descoberta do electrão.
Ainda muito ligado ao modelo clássico do átomo, Thomson criou um modelo em que estas novas cargas negativas estariam simplesmente incrustadas na esfera, como passas num bolo (imagem da esquerda).



Ernest Rutherford, o pai da física nuclear e aluno de Thomson, foi mais longe. Em 1911, ele experimentou bombardear uma folha de ouro, de apenas alguns átomos de espessura, com um feixe de partículas alfa (que hoje se sabe serem núcleos de hélio). As partículas alfa têm carga positiva, por isso são repelidas por outras cargas positivas.

Se o modelo de Thomson estivesse correcto, a carga positiva do “bolo” causaria nas partículas alfa apenas pequenos desvios, ou então reflexões completas. Mas ao analisar os resultados, descobriram uma pequena quantidade que era desviada com ângulos próximos de 90º (como exemplificado na figura à esquerda), algo impossível no “bolo de passas” de Thomson.

Rutherford concluiu desta experiência que o átomo não seria um bolo, mas sim essencialmente espaço vazio, com a maior parte da massa concentrada numa pequena zona central – o núcleo. Este “átomo vazio”, com um núcleo no centro e com os electrões a rodarem em volta dele com órbitas muito bem definidas, é o átomo de Rutherford.

Ainda segundo o professor Marques: O facto de o átomo ser essencialmente espaço vazio, isso sim tem apenas 100 anos. Sabe-se que não foi fácil admitir que a estrutura do átomo era aquela, com umas cargas à volta de um núcleo carregado com carga contrária e onde estava a maioria da massa. É preciso algum grau de abstracção para admitir que ele existe, porque à partida, não podia existir.

Isto porque o modelo “planetário” de Rutherford tem ainda várias falhas, que viriam a ser resolvidas nos modelos que lhe sucederam (a mais séria delas era a falta de explicação para que um electrão em movimento, que deveria emitir radiação, não perdesse energia e espiralasse até cair no núcleo).

A evolução da física nos últimos 100 anos foi imensa. O desenvolvimento da mecânica quântica acabou com a precisão absoluta das medições, e as órbitas bem definidas dos electrões foram substituídas por nuvens de probabilidade. O próprio núcleo, que Rutherford ainda pensava ser indivisível, viria a revelar-se composto por protões e neutrões, e mesmo estes se descobriria, mais recentemente, que são ainda compostos por conjuntos de 3 quarks de duas espécies diferentes.

Por fim, mesmo a própria matéria se veio a revelar como apenas uma face da moeda, com a descoberta da anti-matéria. Aliás, como nos disse o professor Marques: Passados 100 anos, até fazemos o contrário, fazemos anti-átomos, e guardamo-los durante 16 minutos.


Então e o pêndulo do título?

À entrada da Faculdade de Ciências e Tecnologia da U. Coimbra, o Grupo do Átomo deparou-se com um pêndulo de Foucault, estranhamente parado. Estes pêndulos demonstram a força de coriolis, um efeito provocado pela rotação da Terra, por isso encontrá-lo parado foi uma surpresa para todos. Teria a Terra parado de rodar?

Até o véu deste mistério foi levantado pelo professor Rui Marques. Afinal o pêndulo estava parado porque o vidro que o deveria envolver tinha a espessura errada, aguardando substituição. Por isso, como Galilei terá dito aos seus inquisidores: E pur si muove.

milia passuum - a milha romana

A propósito da visita ao Criptopórtico Romano no Museu Nacional Machado de Castro. Texto entretanto reeditado e publicado no "Boas Notícias" aqui.

Mille passuum ou a milha romana.



Qual a distância que um Centurião romano percorria ao fim de mil passos dados? Uma milha romana, a primeira medida unitária para longas distâncias.

Quanto é que uma milha romana equivale em metros? Não sabemos ao certo! É que o metro é uma medida padrão e o nosso bom senso “diz-nos” que uma passada de um Centurião deveria variar consoante a altura das suas pernas e até da propulsão dada pelo avanço de cada perna (até à data ainda não foi encontrada nenhuma medida arqueológica da perna-padrão do Centurião!).


(A barra de platina-irídio utilizada como prototipo do metro-padrão de 1889 a 1960 e que se encontra actualmente no Escritório Internacional de Pesos e Medidas, em Sèvres, França)

De facto, os mile passuum (mil passos em latim) deste militar romano percorreriam uma distância que lhe era característica. Até porque os mil passos a que refere a milha romana não eram os de um só homem, o Centurião, a marchar, mas do conjunto de cem legionários (a centúria), que ele comandava e que marchavam atrás dele. A propósito, acrescente-se que uma centúria era uma formação militar constituída por 10 filas de 10 legionários (soldados de infantaria) formando um quadrado.

Este quadrado militar avançava então em ritmo de marcha e comandada pelo Centurião que marcava o compasso. De certa forma, a distância percorrida dependia da velocidade da marcha, do ritmo do passo. O que sugere que uma milha romana não só indicava uma distância percorrida após mil passos mas também o intervalo de tempo necessário para os cumprir.

Este raciocínio transporta-nos para a ideia de que uma milha romana seria, na realidade útil, mais a medida da velocidade do Centurião a marchar, do que só uma medida de uma distância percorrida. Ao dizer que precisavam de marchar, por exemplo, 10 milhas, o Centurião não só indicava a distância a que se encontrava de um eventual alvo, mas também dava indicações sobre o tempo que demoraria a conduzir a sua centúria até ao destino.

Mas voltemos à questão da conversão, possível, para o “nosso” metro padrão. Até para podermos precisar a variabilidade da milha romana. Isto é relevante também como exercício da importância do erro quando aplicado a escalas com grandezas diferentes. Vamos a seguir concretizar este problema.

Uma passada em marcha de três Centuriões diferentes poderia diferir em poucos centímetros. Suponhamos uma diferença média de 15 centímetros entre as passadas de cada um dos três centuriões. Esta diferença pode não parecer muito crítica numa única passada, por exemplo de 1,5 metros: 10 % de variação média.

Mas essa diferença de 15 centímetros seria suficiente para que os 3 centuriões percorressem distâncias substancialmente diferentes ao fim dos seus mil passos. Se os três centuriões marchassem com uma velocidade igual percorreriam, ao fim de um mesmo período de tempo, 1350 metros, 1500 metros e 1650 metros! E qual seria a diferença entre eles ao fim de 10 milhas romanas?

Noutra perspectiva, para que percorressem a mesma distância depois de mil passos, os três centuriões no exemplo anterior teriam de marchar a velocidades diferentes. Ou seja, gastariam períodos de tempo diferentes para percorrer uma milha romana.

Mas a história deixou-nos indicações sobre a diferença entre a marcha dos Centuriões.

De facto, há registos históricos que balizam a milha romana entre os 1481 e os 1580 metros. Ou seja, 99 metros de diferença!




Outro dado arqueológico e que se encontra hoje no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, mostra que quatro milhas romanas são iguais a 5920 metros. Segundo esta prova arqueológica, baseada na distância de um marco viário, com a indicação de IIII e encontrado àquela distância métrica de Aeminium (designação romana para a povoação que deu origem a Coimbra), uma milha romana equivale a 1480 metros.



Outra fonte (wiki-pédica) indica-nos que uma milha romana comportaria 5000 pés romanos. Isto garante-nos, pelo menos, que existia uma humana variação entre o tamanho dos pés dos inúmeros Centuriões romanos!

Se quisermos espraiar um pouco mais este assunto para outros domínios, estes dados sugerem-nos que, apesar de já então e pelo menos desde os gregos, se utilizar a clonagem para replicar espécies vegetais (a palavra clone deriva etimologicamente do grego κλων, lê-se klón), a utilização da clonagem para replicar eventuais Centuriões com características bélicas excepcionais ainda não estaria desenvolvida. Aliás, como também “ainda” não o está hoje.

E a milha americana? Isso é uma outra história, também com resquícios imperiais, mas ingleses.

António Piedade

sábado, 18 de junho de 2011

O Sexto Sentido I

Acha que tem um sexto sentido?

Com certeza que já alguma vez se deparou perante uma situação pensando “estava mesmo a ver que isto ia acontecer”…Mas não, não me refiro a qualquer tipo de sentido de intuição nem premonição. Refiro-me, sim, ao críptico sentido do vomerolfacto, que será o nosso verdadeiro sexto sentido.

E o que é então o vomerolfacto?

O vomerolfacto é o sentido associado ao órgão vomeronasal, um pequeno órgão receptor localizado por cima do palato, atrás das cavidades nasais. Também chamado de órgão de Jacobson, em honra do médico dinamarquês Ludwig Jacobson que o re-descreveu no séc XIX, o órgão vomeronasal é responsável pela detecção de estímulos químicos, tal como os que detectamos através do olfacto e do gosto. Mas, neste caso, parece estar sempre implicado na detecção de estímulos químicos com características especiais: as feromonas. As feromonas são os mensageiros químicos da troca de informação entre indivíduos da mesma espécie, ou seja, as moléculas usadas na comunicação química.

Apesar de ter sido detalhadamente estudado em muitas outras espécies de vertebrados, nomeadamente nos répteis, a sua existência e funcionalidade nos humanos adultos é ainda questionada, uma vez que ele foi detectado em embriões mas parece estar ausente em fases posteriores do desenvolvimento. A importância do sistema vomeronasal (o conjunto do órgão de Jacobson e respectivos receptores nervosos) está geralmente associada ao seu papel na reprodução e comportamento social de numerosos animais.

Mas, existem feromonas humanas?

A existência de feromonas no ser humano daria indícios da utilização deste sentido críptico na nossa espécie.

Um dos primeiros estudos a debruçarem-se sobre esta questão foi efectuado por Martha McClintock no final da década de 60. Esta psicóloga americana questionou-se se seria ou não certo o mito popular de que havia uma tendência para a sincronização dos ciclos menstruais entre mulheres que conviviam muito ou viviam juntas. No trabalho publicado na revista Nature em 1971, McClintock relata como as mulheres residentes num dos dormitórios universitários de Wellesley, sem a presença de homens, adquiriam ciclos sincronizados. Esta sincronização seria induzida pela libertação de feromonas, como ocorre noutros comportamentos reprodutivos doutras espécies. Mais tarde, em 1998, a mesma investigadora descobre que estas feromonas seriam libertadas juntamente com o suor das axilas. Ainda que muito criticados, estes estudos levaram a muitos outros que continuaram a explorar e alargar o nosso conhecimento acerca do papel dos estímulos químicos no comportamento sexual humano.

Há portanto, muitos indícios de que, efectivamente, existem feromonas humanas e que, por conseguinte, temos também nós esse sexto sentido, embora não tão místico como seria de supor. Assim, da próxima vez que se sentir estranhamente atraído por um desconhecido que por si passou, não pense que o cupido anda por aí perto…quiçá sejam as suas feromonas a entrar em acção. Como dizia um famoso anúncio de há alguns anos atrás: Se um desconhecido lhe oferecer flores, isso é...vomerolfacto!



Imagem: capa do livro "Jacobson's Organ and the remarkable nature of smell" de Lyall Watson (W. W. Norton & Company, 2000)

átomo ao espelho


Vejo-te.
Porque os meus olhos são sensíveis à luz que emites,
Ao fotão que lançaste ao vazio que nos separa.
Não consigo tocar-te.
Não há força que o permita!
Contudo, és exclusão permitida!
Algo expresso no Princípio de Pauli o descreve.
Disse-mo um Físico, de forma breve.
Impressiono em vão a imagem que tenho de ti,
Um reflexo fotónico na interface feita de átomos, talvez de prata.
Simetricamente no espaço e no tempo mimicas o que faço.
Coincidem a minha vontade e a tua,
Numa incerteza intangível,
Numa vertigem aniquilável.
És a minha antimatéria visível?
És a minha sensação electrostática repulsiva?
És no instante em que te provoco o meu spin oposto?
Ou sou eu a tua matéria no reverso do universo?
És deste universo?
Vejo-te. Mas se te sinto, aniquilo-me!
Quem verá, depois do nosso nada, a nossa luz?

António Piedade

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Pão e cerveja, gás e álcool à mistura




Come-se todos os dias e bebe-se durante todo ano. Falamos do pão e da cerveja.

Mas o que têm estes dois alimentos em comum? Para além dos cereais na sua composição, os organismos vivos envolvidos na produção, as leveduras. Como não as conseguimos ver sem auxílio de instrumentos de ampliação, designam-se por microrganismos, pertencentes ao grupo dos fungos, tal como os bolores e os cogumelos.

Estas leveduras, especificamente Saccharomyces cerevisae, vulgarmente conhecida por fermento de padeiro, permitem uma movimentação diária da economia a nível mundial.

Mas afinal como funcionam estes organismos? Estes seres vivos de uma simplicidade ímpar, com uma célula, seres unicelulares, apenas necessitam de energia, combustível para poderem trabalhar. Quem não precisa? Nós quando comemos e dormimos, recarregamos a nossa “bateria” para podermos trabalhar.

As leveduras têm condições óptimas de funcionamento, uma condição física, a temperatura, preferem ambientes amenos, valores compreendidos entre os 30-37ºC.

Tal como todos os seres vivos, têm que se alimentar e, no caso das leveduras não respiram como nós, fermentam. É no processo de fermentação que reside a sua particularidade e onde se obtêm dois produtos que elas libertam, usados para produzir o pão e a cerveja. Tal como nós, libertam dióxido de carbono e um álcool, o etanol, importante para produzir cerveja. De que forma é que estes produtos estão implicados no processo de produção do pão e da cerveja?

Ao ser libertado dióxido de carbono, um gás, este fica preso na rede formada pelo glúten (uma proteína presente no trigo) quando se amassou a farinha com os restantes ingredientes. Ao ser aprisionado vai-se formando uma “bolha” cada vez maior que empurra a massa, tornando-a mais leve. Se comermos um pouco de massa crua, sentimos o sabor azedo característico e provocado pelo álcool que se produziu juntamente com o dióxido de carbono.

Ao cozer a massa tanto o gás como o álcool se escapam, evaporam. Tal como quando deixamos o frasco do álcool aberto.

Quando cortamos o pão, constatamos que tem espaços vazios, deixados pelo dióxido de carbono. Na cerveja como é uma bebida, tanto o gás como o álcool permanecem no produto final. Quando assim não é afirma-se que a cerveja está “morta”, não tem bolhas de gás. Como se comprova a existência do álcool? Se não for através de uma análise química, depois da ingestão de elevada quantidade, maior para uns do que para outros, os seus efeitos sentem-se.

Não tem sido divulgado nos diferentes meios de comunicação, casos de ressacas após a ingestão de pão, mesmo que em elevadas quantidades. Já com a cerveja não se pode dizer o mesmo…

Quem diria que o nosso crescimento foi influenciado por um gás que expelimos quando expiramos? Já o álcool, tão usado na desinfecção, influencia ou influenciou mais uns do que outros.

Legenda: Imagens obtidas por observação ao microscópio da levedura Saccharomyces cerevisiae

A escrita em acção